O medo pode ter raízes no passado. "Muitas vezes, o paciente torna-se odontofóbico porque vivenciou dor ou teve alguma experiência negativa com dentistas na infância", afirma a odontopediatra Eliana Amarante. Foi o que aconteceu com a professora Sônia Maria de Carvalho Pinto, 32.
"Acho que meu medo começou quando era pequena e fui a alguns dentistas ruins que fizeram o tratamento de qualquer jeito; até desmaiei por causa do medo de sentir dor", lembra. Já adulta, ela passou por outra experiência ruim: mesmo depois de seis doses, o anestésico não surtiu efeito, e ela foi obrigada a tratar um canal sem estar anestesiada. O medo até provoca insônia. Neste mês, ela teve de extrair dois pré-molares para usar aparelho ortodôntico. "Fiquei sem dormir três noites, tomando chá para tentar me acalmar", diz a professora.
Da mesma forma que as experiências negativas atrapalham, as bem-sucedidas ajudam a eliminar ou, pelo menos, reduzir o temor. É o caso de Pedro Basile Lindenberg, 10. Segundo sua mãe, a personal trainer Cássia Maria Amajones, 39, ele chorava muito e tinha de ser segurado quando precisava tomar anestesia. Recentemente, o garoto precisou extrair quatro dentes e, durante o procedimento, foi submetido à sedação consciente inalatória. "Com essa técnica, ele não sentiu dor e, como tudo foi explicado de forma detalhada pela dentista, ele ficou mais confiante", diz a mãe. Pedro parece ter superado o problema. "Ele precisou fazer uma obturação depois das extrações e nem tomou anestesia."
A sensação do desconhecido -que, no caso de Pedro, foi solucionada pelas explicações da dentista- também pode gerar medo, explica o psicólogo Antonio Pereira. Além de não entender exatamente como será feito o tratamento, o paciente pode ainda se sentir impotente. "Quando está na cadeira do dentista, a pessoa não está controlando a situação", afirma o psicólogo.O psiquiatra Márcio Bernik, coordenador do Amban (Ambulatório de Ansiedade), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC), aconselha a pessoa a tentar se habituar gradativamente à situação, levando um amigo ao dentista e acompanhando sua consulta, por exemplo. "Assim, o que antes causava terror passa a causar tédio, e as reações de ansiedade vão se consumindo."
O temor também pode ser "transmitido" de pai para filho. "Metade das crianças sentem medo de dentista quando os pais também o sentem", afirma Cláudia Marassi. Isso pode acontecer quando o pai conta uma experiência dolorosa para a criança. A cirurgiã-dentista cita outra atitude dos pais que pode gerar temor: fazer ameaças, convertendo o próprio dentista, a anestesia ou a injeção em castigo quando a criança faz alguma travessura.
Algumas dicas:
• Respire profunda e calmamente antes de sentar-se na cadeira do dentista e enquanto estiver em tratamento. Ao se concentrar na respiração, você deixa de prestar tanta atenção ao dentista e ainda oxigena melhor o cérebro.
• Utilize técnicas de relaxamento, como meditação e exercícios de ioga.
• Se você tem fobia de sangue ou de ferimentos, não tente relaxar. Contraia os músculos para evitar desmaios.
• Acompanhe o tratamento de parentes e amigos para se habituar gradativamente ao ambiente e à situação.
• O desconhecido gera insegurança. Por isso peça ao dentista para explicar o tratamento antes de iniciá-lo.
• Não transfira o próprio medo aos seus filhos. Evite associar o dentista a algo doloroso ou punitivo e mostre que a ida ao consultório faz parte da rotina.
Folha de S. Paulo

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